setembro 06, 2010

Vozes anoitecidas


Tem dias que as folhas me falam de ti
brancas, frias, sussurram-me
como o vento da noite que nos adormece
mas eu preferi-as vermelhas, quentes

vozes anoitecidas, empurradas pelo ontem
como se ainda fosse cedo
emagrecem-me de ti
                             tal a distância


ainda assim ouço-as
na esperança que se façam gestos, veias
                                                     carne
e me olhem sepultadas no silêncio
mas vivas no tempo



Vera Carvalho

7 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Vivas vozes...
Enoitadas
Quase algozes
Encantadas

;)

Sonhadora disse...

Minha querida
Por vezes o que resta são as palavras que recordamos e que nos vestem a alma.
Adorei o poema

beijinhos
Sonhadora

Daniel Aladiah disse...

Querida Vera
Há mudanças por aqui... e versos sonhadores.
Um beijo
Daniel

Vento disse...

A esperança é a última a morrer. Não possuímos o poder do esquecimento.

Beijo

Nilson Barcelli disse...

Gosto imenso de te ler.
Mas publicas tão poucas e raras vezes...
Este poema é magnífico. Como é tudo que escreves.
Querida amiga, bom fim de semana.
Beijos.

Lucia disse...

Olá!
Eu também me chamo Vera, embora prefira que me chamem de Lúcia.
Adorei seus textos.
Terei imenso prazer em recebê-la no meu blog.

Abraços

AC disse...

Fui clicando por diversos blogues e, às tantas, deparei-me com o seu espaço. Em boa hora o fiz, pois não falta por aqui sensibilidade e talento.
Vou seguir com todo o gosto.

Bj