setembro 30, 2010

Cinco arrobas de amor


Diante deste lago, mergulho em mim
como se de ti
entornasse
e se o percurso que a água toma é inverso ao teu
então eu seco

Por vezes existem ondas no céu
que afogam gaivotas
assim me despenho e me fundo
no chão que me estendes,
na sombra que atravessas


Demasia-me a liberdade do dia
no vazio de ti
a espessura do tempo sufoca-me
eu não grito
mato-me nas palavras mudas


E se do mundo eu te inventasse
carregava-te na barriga e tu carregavas-me a mim
cada vez mais pequenos
até o mundo se reduzir
a coisa menor que nós


Será contudo sonho, razão
loucura que avisa e vem
um esforço que me aninha
na prepotência de te ter
em cinco arrobas de amor


Vera Carvalho

8 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
Um belo poema como sempre.


Demasia-me a liberdade do dia
no vazio de ti
a espessura do tempo sufoca-me
eu não grito
mato-me nas palavras mudas

Adorei

Beijo
Sonhadora

Daniel Aladiah disse...

Querida Vera
125 kg de amor é obra! :) Cuidado não te esmagues.
Beijo
Daniel

tecas disse...

Belo poema ...de palavras com peso poético. Sublinho
Um bjito Verinha querida, e obrigada por me dares honra de seres minha seres minha seguidora.

Marta disse...

Que posso dizer???
Um poema lindo, livre e cheio de amor...
Obrigada pela visita, Vera..
Espero que voltes...
Até já
Beijos e abraços
Marta

OUTONO disse...

O som da palavra...no silêncio do enleio...onde se dialoga amor.
Fascinante!
Voltarei!

Nilson Barcelli disse...

Cinco arrobas de amor já é bastante amor...
Querida amiga, o teu poema é belíssimo. Gostei imenso das tuas palavras.
Beijos.

A.S. disse...

Vera...

O amor levita! É como um corpo na sua errância, um sulco ébrio na areia molhada, um resto de boca na chávena do café... uma palavra do teu poema que se liberta ao amanhecer ao encontro do sol!


Beijos
AL

Charlie disse...

cinco arrobas de amor,
uma chave de peso......