agosto 18, 2010

Utopia


Quisera escrever-te em grãos de areia
em incansáveis rodopios
como se do pó fizesse sombra
e inventar - te aqui
                      todos os dias

Quisera tornar-te maior que a penumbra
fulgor entre vinho e lua
verter a noite e bebê-la
com o sorriso
           nos olhos

Quisera somente estender-te
para lá do mar
                entre marés
em consistente gravitação nossa

mas o que há em mim é loucura,
talvez a última que me mata
e me importuna

porque estás escrito num tecido que sangra
a cada traço que contorno
e a minha subtileza é inútil,
infecunda
              mente
inútil


Vera Carvalho

8 comentários:

A.S. disse...

Vera,

Desnudas-te na intimidade própria de quem ama. desenhas trajectórias no gesto e no olhar... mas na tua boca ávida de sabores, a sede perdura!


Belo o teu poema!

BjO´ss
AL

Vento disse...

Ao som da musica sentei-me num ramo da tua árvore,observei as tuas palavras, despi-me do passado e vivi um novo amanhecer.

Pedi ao tempo para pousar aqui...

Simplesmente belo as tuas palavras e o "Henry Mancini"

Beijo

aflordapele disse...

Vim conhecer e o que encontrei deixou-me deslumbrada...:)

© Piedade Araújo Sol disse...

quisera comentar este poema, mas, fico só pelo:

excelente.

um beijo

DE-PROPOSITO disse...

Quisera
-------
Há tantas coisas que queremos, e o querer não passa de uma ilusão.
-------
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

Rafael Castellar das Neves disse...

Olá Vera!!

Ainda estou atordoado com seu texto...excelente!! Muito bom mesmo...muito carregado, muito bem proposto e muito bem descrito...gostei! Escrevi um relacionado à utopia, mas esse foi demais!!

Meus parabéns!!

Rafael

Nilson Barcelli disse...

Vera, estás a escrever melhor que nunca.
Parabéns pela excelência das tuas palavras.
Um beijo, querida amiga.

☆Fanny☆ disse...

Palavras sabiamente entrançadas de poesia... Excelente!!!

Beijinho e um sorriso*

Fanny