agosto 27, 2010


As lágrimas engolem-se bem

e o travo amargo do ontem

dilui a cada amanhecer

quando o amanhã nos abre a porta.



Vera Carvalho

agosto 18, 2010

Utopia


Quisera escrever-te em grãos de areia
em incansáveis rodopios
como se do pó fizesse sombra
e inventar - te aqui
                      todos os dias

Quisera tornar-te maior que a penumbra
fulgor entre vinho e lua
verter a noite e bebê-la
com o sorriso
           nos olhos

Quisera somente estender-te
para lá do mar
                entre marés
em consistente gravitação nossa

mas o que há em mim é loucura,
talvez a última que me mata
e me importuna

porque estás escrito num tecido que sangra
a cada traço que contorno
e a minha subtileza é inútil,
infecunda
              mente
inútil


Vera Carvalho