março 09, 2010

Quase-amor

foto de Alberto Monteiro


Fracos meus punhos
de um quase – amor alvo, combalido,
feixe ténue de luz
meus olhos despidos, moribundos, sumidos
tão resumidos esses encontros
descarnados à raiz, desoras
fartam-se em manto e o meu vermelho
desfaz-se agora em pranto
ordinário desafogo que some e me consome
por entre margens de um rio
corre moroso, ascendente à minha voragem
só eu sigo soturna, esta viagem


Vera Carvalho

8 comentários:

Porpettinha disse...

Adorei... perfeita expressao de palvras

Alexandre Costa disse...

Lindo poema!!!!

© Piedade Araújo Sol disse...

vera

um belo poema...

meus olhos despidos, gostei muito desta frase.

um beij

Luis F disse...

Nas asas do vento, trouxe-te um poema:

"As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas...."
Eugénio de Andrade

Adorei visitar-te (já tinha saudades de viajar neste teu belo canto e sentir as tuas palavras em tão belos momentos).
Bj
Luis

A.S. disse...

Vera...


Seguimos um caminho estreito
que se abre e apaga aos nossos passos!
os reflexos espalhados
nas margens,
são a sombra de uma outra manhã
que surgirá pronta, total...
e vermelha!


Um beijOOO... e saudades!
AL

Oculto disse...

As tuas palavras arrepiaram-me...

beijo

António disse...

O rio que corre deve ser fonte de energia,
deixa-te embalar na sua água corrente.
Deixa a luz entrar no teu olhar
e procura-te.

Beijo

António

Secreta disse...

Um quase-amor , o teu, que nos envolve de sentires.