março 31, 2008

Espelho da alma



Deixa-me olhar-te nos olhos,
correr no verde que anuncia a primavera
e desvendar os mistérios dessa janela.
Abre esse mundo que a íris silencia
com astúcia e sensualidade
e dá-me a trincar o fruto
que me rouba à realidade.

Deixa-me chegar-te a mim,
espreitar-te pelos poros
a dimensão da alma
e então, afundar-me nela
vaiada pelo raciocínio e,
aclamada pelo descortino
julga-me,
rasga-me em pedaços
com que depois cortinas a janela.

Cada vez que o vento passe por ela
deixa-me segredar-te ao ouvido
quantas lágrimas compõem a tua ausência,
quais as palavras que os lábios encerram
e como a falta de amor provoca demência.
Deixa-me percorrer-te a olhar-te nos olhos
sem que a claridade te cegue a vontade.

Vera Carvalho

Em agradecimento ao Xavier Zarco pela referência em Eu, X.Z.

março 11, 2008

Sede


Foto de Sara Sá

A língua atrai e retrai-se
aos conjuros da sede.

Ah!!! Pecado foi beber-te
e não caberes dentro de mim...

Vera Carvalho