janeiro 08, 2008

Apunhalo meu coração



foto de Janosch Simon

Sinto a geometria da lâmina
percorrer-me as fronteiras.
Esticam-se os ossos,
esmaga-se a carne e sufoca-se a voz.
Não queria empunhar facas, antes
buquês de rosas.
Mas já não se colhem flores,
os ovários não produzem cores, perfumes,
sorrisos, toques
e as palavras estéreis que pairavam no ar,
não as consigo inventar.
Caem, agora, do céu,
frios
no silêncio que rui
em gumes,
morfemas cuspidos que desfiam
sonhos e semeiam lágrimas.
Apunha-lo, antes, meu coração
e deixo o sangue afogar este terreno árido
para que possam brotar de novo
as rosas.

Vera Carvalho

13 comentários:

as velas ardem ate ao fim disse...

Olha está lindo de morrer!

bjo

ContorNUS disse...

Está magnânime...

fico com as sílabas presas num arrepio que se espalha na pele...

ler-te assim... acutilante

João Filipe Ferreira disse...

tens desafio no meu blog:)

beijnhooooooooooo

mnemosyne disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mnemosyne disse...

Rubra expressão das emoções e sentidos.Belo poema...lancinante como uma lâmina.
Um beijo

Isa&Luis disse...

Olá Vera,
Belo poema..uma comunhão de sentires...

Beijinhos

Isa

Menina do Rio disse...

Estive um tempo sem Pc e acho que me atrasei nos votos de um novo e feliz ano, mas quero deixar-te meu carinho e agradecer por tua presença em meus dias.

Um ano de amor, sabedoria , indulgência, humildade e discernimento a todos nós!

Luis F disse...

Amiga, lindo poema e linda foto, banhada por esta musica deliciosa.

Agradeço a tua visita ao meu Mar e para mim é sempre um prazer vir banhar-me neste teu manto.

Parabens

Nilson Barcelli disse...

Confesso que até me assustei...
Mas depois vi que o teu poema é excelente, tal como muitos dos que já li teus.
É um poema forte e com imagens muito bem construídas.
Beijinhos.

jorge vicente disse...

são as rosas as estrelas que brotam deste poema. não o punhal. ou apenas o punhal.

um abraço
jorge vicente

Joaquim Amândio Santos disse...

o que é o conhecimento?

visão directa do corpo e da atitude?
prolongado caminho nem que condutor à saturação encapotada?

Vivência superficial feita de fait-divers e não de curiosa partilha sem hora nem condicionalismos marcados?

Será assim tão impossível iniciar o conhecimento na distância? julgo que não e defendo tal desiderato.


EIS A MINHA HOMENAGEM AOS BLOGGERS, ESSES INCANSÁVEIS CRIADORES DE LAÇOS!

Artur Moura Queirós disse...

Atingir a libertação pelo perfurar da fonte de sentimentos, é acreditar que o substrato dos sonhos é feito de sangue e lágrimas e não da saliva de vendedores de sonhos, sempre verdes por fora sempre negros por dentro.

Estou encantado com os seus poemas, reconheço a intensidade das suas palavras...:)

freefun0616 disse...

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