novembro 26, 2007

A ferro e fogo


Foto de Keitology

A distância dos nossos corpos
assedia a ânsia…

Freme veemente em círculo ardente
e multiplica-se num desbravado caminho
de palavras que retrocedo
em alongado
gemido de carência.

Marco as minhas mínguas
a ferro
e todo o teu ser arde-me na pele
gravado em substância.
Aferras-te
e em mim
és perfeito na imensidão de homem.

Percorres-me em segredo,
lapidando as curvas
que à luz se entregam e
projectas-te em sol e fogo.
Não te enxergo a forma
mas sinto-te em fusão
correr-me no sangue.

À contrariedade do tempo que emerge,
gorgolo em devaneio
o teu nome decifrado.

Vera Carvalho

novembro 22, 2007

1.º Aniversário



Hoje, o "PÉTALAS MINHAS" comemora o seu 1.º aniversário!
Ao longo deste ano desfolhei-me, pouco a pouco, a todos os visitantes leitores e agradeço, de mãos ao peito, o carinho e a atenção com que todos me pegaram, me sopraram e ainda me guardam. Presenteio-vos a todos com o aroma das rosas vermelhas.

Orvalha a manhã na verdura das folhas
e as pétalas que se abrem em rubro
unem-se em poema veludoso.
São jardins as mãos de poeta.


Vera Carvalho

novembro 19, 2007

ENCRUZILHADA



Desafiada por ContorNUS ligo-me à ENCRUZILHADA.
Com o título dos últimos 10 posts compor um post em prosa/ conto ou poesia, não necessariamente na mesma ordem de publicação e aleatoriamente (se assim o entenderem), usando verbos, preposições, etc para dar elo de sentido ao todo.

Nasci numa alma
mulher
despida na longitude
do sol

aquecem-me
as lágrimas que me secam
em dança cadenciada
de pássaro sonhador
que chora a ausência
de um sonho alentejano

na partida
junto as lágrimas
ao oceano
em que afundo
o alter ego

Vera Carvalho

Adorei este desafio e por isso lanço-o ainda fervente de minhas mãos...
Palavras Soltas
Poesia de Paulo Afonso
O Canto da Rosa
Recanto da Alma
Olhar indiscreto
Nimbypolis

Um abraço a todos.

novembro 06, 2007

Alter ego



foto de autor desconhecido

Meço-te em filigranas que teço
a cada palavra que sopras.
A suavidade com que caem sobre mim
confundem-me fada,
matizada pelas cores que centelham do teu sorriso.
Traço-te em contornos que rompem
em pinceladas subtis
de um azul céu e fico-me por ali,
até que escureça a cor
e cintile o brilho dos teus olhos.
Rio seguindo os teus lábios
e mergulho nas ondas
desse mar de água doce
que guarda tesouros no coração.
São teclas de piano as guardiãs...
Pena eu não saber tocar-lhes!
Deito-me sobre o silêncio que poisa na areia
e espero que as ondas me sussurrem a música.
Deixo-me embalar
e guardo sob as pálpebras
a tua imagem de noite estrelada
que se deita sobre o mar.

-----V.C.-----