agosto 10, 2007

Dança


Foto de ABrito
Entre o vazio da sala e eu
permanece fixa a tua presença,
obstinada,
alicia como quem despe com um olhar
os meus sentidos,
arrepia a minha vontade
como a lâmina de uma espada
e faz tremular a memória
ainda casta.

Inspiro o teu perfume que as paredes libertam
e a minha face ergue-se
à procura do teu beijo.
___Não te alcanço.
O corpo vem por arrasto.
___Não te alcanço!
Os braços estendem-se para abraçar as
partículas que ainda restam.
___Não te toco!
Giro, volteio, revoluteio.
___Não te encontro…
O delírio atira-me ao chão
mas a vontade ergue-me a face
à procura do teu beijo.
-----V.C.-----

24 comentários:

Vera Carvalho disse...

(Análise Crítica de Maria José Limeira in "Amante das Leituras") -
Fui arrebatada pela surpresa do texto "Dança", de Vera Carvalho, e
pela intensidade de seus sentimentos. Trata-se de um poema
altamente "feminino", se é que existe esse tal "feminino" em
Literatura. Mas... um homem não poderia nunca dizer assim o que esse
eu-lírico feminino expõe, sem nenhum pudor e com essa beleza
delicada que a autora revela.
Trata-se de cantar a "ausência", não em tom de lamento, e sim com
indignação, e o tom indignado permanece da primeira à última linha,
a partir mesmo do "entre o vazio da sala e eu".
(Menina linda, você nem sabe o quanto doeu em mim esse "entre o
vazio da sala e eu", que alavanca o texto a nível universal, e diz
muito mais do que Neruda soube manifestar em "Vinte poemas de amor e
uma canção desesperada" – e olhe que esse autor transpôs todas as
fronteiras, sendo para mim O Maior, em termos de dor-de-cotovelo!).
Nunca o "explícito" foi tão bonito, tão veemente, como esse poema se
declara, num discurso inflamado, onde as exclamações não aparecem,
mas a gente sente que se derramam em cada verso.
Interessante é que a construção não se faz a partir de um moto-
contínuo que navega em águas rasas, e vai ganhando impulso até
atingir o máximo de sua força.
Não. Nada disso. A autora começa seu discurso já em grande
movimento, atirando pratos para todos os lados, dando murros aos
vento, numa espécie de fúria que só a Psicologia explica...
É um texto de memória ("Inspiro teu perfume que as paredes
libertam" - "Os braços estendem-se para abraçar as partículas que
ainda restam"). E olhem a vastidão do verbo "inspirar" aí, sinônimo
de "transpirar", "respirar","aspirar", "cheirar", "sorver", "sugar",
"inalar"... ao lado mesmo da tradução poética do inspirar como fonte
de inspiração. E vejam essas "partículas que ainda restam", que já
não são perfumes (cheiros), mas matérias sólidas (pedaços) do que
restou... Vejam também como a autora usa a palavra "ainda" antes do
verbo restar, sugerindo que, até mesmo as tais "partículas" se
dissolverão daqui a pouco.
É Poesia. Das mais belas que já vi.

(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista democrática de
João Pessoa-PB)

Paulo Afonso disse...

Genial!

Deixo aqui um beijo meu...

ContorNUS disse...

essas palavras...Fazem-me libertar memórias... estaríam resgardadas dos olhos...debaixo da epiderme

gosto de te descobrir

Odele Souza disse...

Vera,

Bom dia. (8:00 h.aquino Brasil...)
Que coisa tão boa Vera, encontrar logo cedo seu comentário lá no Flavia, Vivendo em Coma, o blog de minha filha. Obrigada por suas palavras de apoio. Que coisa boa estar num espaço onde se vê tanta sensibilidade espalhada nas suas palavras e nas belas fotos que ilustram seus textos. Você disse que chegou ao blog através de Tereza Gonçalvez que tem divulgado o blog de Flavia. Gostaria de agradecer e lhe peço o favor de me dar o endereço eletrônico de Teresa. Se preferir, pode usar meu e-mail: odele@terra.com.br

Um beijo.

red angel disse...

bonitos textos com imagens a condizer,parabens

Daniel Aladiah disse...

Querida Vera
Lindo, poeticamente... arrastada a um canto, só o beijo poderá ser a fuga... se desejado...
Um beijo
Daniel

Sandokan disse...

Quem passou por aqui?
Quem foi que recusou esse beijo
vindo de lábios de mel?
Quem pensou no delírio das catedrais,
no segredo que em cada pedra escondeu
o fulgor e a dissipação?
Quem passou por aqui
deixou perfume nas paredes,
como se fugisse de uma sombra ou de um
assassino,
dobrou os joelhos e levantou o rosto para
cima,
para os palácios de Deus.
Ninguém lhe disse:
estes são os caminhos que vão para o além;
o deserto está no fim.

Sandokan disse...

Vives em permanente sobressalto, Verinha.Pareces agarrada a um passado que não volta!!!
Mas, afinal, quem sou eu para te julgar se todos os passos conduzem à inclinação do dia e os girassóis voltam-se para a luz e depois, timidamente, observam o chão?

Rui @t Blog disse...

Excelente. Já é habitual (ainda bem).

O Profeta disse...

Perdi-me em rodopio na tua dança de sentires...

Profétco beijo

Menina do Rio disse...

Inspiro este perfume a procura de um beijo teu...Não te encontro...Não te toco...
E me vou...

beijos

☆Fanny☆ disse...

Um poema belo, sentido, pleno de ausência presente que acarinha a memória e o sonho.

Adorei a análise de Maria Limeira!

És uma grande poetisa, Vera!

Um abraço de estrelinhas*

Fanny

Bosco Sobreira disse...

"Dança" é um de seus mais inspirados momentos, minha querida Poeta.
Li várias vezes, tal a grandeza de suas imagens e a força poética de seus versos. Pura emoção!
Um beijo afetuoso.

as velas ardem ate ao fim disse...

Brilhante dança.


bjinhos

Rita Costa 'Alma de Poesia' disse...

Vera.

Boa tarde!

Por favor, leia com atenção!

É com base no modelo ‘Blog Day – Cinco Estrelas’, evento de sucesso idealizado pela Elza, do blog ‘NADA POR MIM’, que nós, ANDRÉ L. SOARES (do blog GRITOS VERTICAIS ) e RITA COSTA (do blog ALMA DE POESIA ), na condição de ORGANIZADORES (não participantes), lançamos agora o “PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007”, com o objetivo maior de eleger, conforme o voto dos próprios ‘bloggers’, o ‘MELHOR POETA’ e o ‘MELHOR POEMA’ de 2007, postado em idioma PORTUGUÊS.

Acreditando que o intercâmbio de conhecimentos decorrente da leitura diversificada é benéfico ao desenvolvimento da poesia como um todo, o PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007 objetiva, também, estimular a leitura, bem como a maior integração entre os ‘bloggers’ que escrevem poemas em idioma PORTUGUÊS.

A participação é opcional e gratuita, não implicando em quaisquer tipos de ônus aos participantes.

Assim, dando início ao “PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS ‘IN BLOG’ 2007”, nós, André L. Soares e Rita Costa, Organizadores deste evento, indicamos o seu poema intitulado ‘DANÇA’ [ http://petalasminhas.blogspot.com/2007/08/dana.html ], postado em seu blog em 10.08.2007, para ‘Concorrente Inaugural’, juntamente com mais outros 29 poemas. Por favor, leia com atenção as regras do concurso em: AQUI.

Caso aceite, confirme sua participação pelo email: canetadeouropoesia2007@gmail.com, para que possamos lhe enviar o conjunto de ‘arquivos do participante’ (‘regras’, ‘banner’ e ‘caixa de texto’).

Participe e nos ajude a construir um dos maiores eventos literários da Internet.
Gratos por sua atenção!


RITA COSTA e ANDRÉ L. SOARES.
Organizadores.
.
.

Verônica disse...

Entro nesta dança...

Tem um belissimo fim de semana

beijos

Menina do Rio

Jorge Bicho disse...

tinha saudades de te ler. adorei este texto e a linda foto que se casa com ele.
beijos no coração
JB

Delfim Peixoto disse...

Adorei, amiga!
jnh

Mel de Carvalho disse...

Prazer redobrado!!! Li no Luso, volto a ler.
Valeu pelo encanto da palavra, pela música, pela imagem...

Vale sempre a pena, Vera, vir a esta casa.

Um beijo d(a)e Mel

Sailing disse...

Vim atraves do Luso Poemas ao teu blog. Informo-te que de facto me perdi no encanto das tuas palavras, na harmonia do blog, no sentimento que transmites em cada texto.

Parabens
Sailing

Isa&Luis disse...

Belissima dança que nos faz sonhar...

Jinhos

Isa

suruka disse...

Dança dança sim.

Agora me lembro, já antes estive aqui
( por este espaço lindo ).

Artur Moura Queirós disse...

Por cada palavra que leio e releio percebo melhor o porquê de depois de tanto tempo a ver blogs não tive a mínima dúvida em eleger o seu blog como um dos três que me deixam "nolimiar" porque as suas palavras sentem e fazem sentir é com facilidade que a mente do leitor com a ajuda da alma converte cada verso numa imagem que preenche as retinas dos mais cépticos...:)
Porque o erguer da face é uma imagem que dificilmente sairá do corpo de quem a leu. Mais uma vez e correndo o risco de ser repetitivo muitos parabéns.

freefun0616 disse...

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