março 26, 2007

No chão cavo o meu suspiro


foto de Carla Salgueiro


Cerro os olhos à procura de um vazio,
de uma cova onde esteja só, onde os sentidos são proibidos.

Sou surda à voz do coração, severa ao meu lamento
mas inabalável à tentação.

Ah, mas quando a razão vence o coração?!

Mesmo de olhos cerrados, de coração aprisionado
desfruto-te o cheiro,
sinto-te a rigidez dos dedos,
procuro-te o sussurro,
e caio das tuas mãos
como lençol de seda,

no chão,

cavo o meu suspiro, maldito sentido!

Porque és presença quando tudo havia perdido?!

-----V.C.-----

19 comentários:

Anónimo disse...

Para este poema, eu sugeria a música e a imagem do Cd "withim the realm of a dying sun" dos Dead can Dance. Vale a pena, ouve.

João Filipe Ferreira disse...

mesmo de olhos fechados desfruta so que te rodeia da mesma forma que o farias com eles abertos...mostras paixão e saudade...uma mistura de tudo numa bonita dose...adorei:)
beijinho neorme poetisa linda.. e ps: qnd preparas as coisas po teu livrinho? eheh

Vlad disse...

Este poema deve ser lido em voz alta... só assim se percepciona a verdadeira dimensão da sua beleza.
Beijos ;)

Bosco Sobreira disse...

As tuas palavras captam a poesia com a leveza e a precisão maestrinas de tuas palavras.
Que poema mais belo, minha querida, Poeta.
Um abraço afetuoso.

Borboleta disse...

Lindo...simplesmente lindo...
*beijinho*

Delfim Peixoto disse...

Fizeste-me sentir os dedos no piano, a leveza do toque nas teclas que por vezes doem tanto e tanto de tão leves, que por vezes quereria tocar nas cordas do meu violoncelo e sentir a dor dos dedos que tocam sinfonias , sonatas, elegies, e no mesmo tempo sentir as palavras caladas nos sons que provoco e que faço girar no ar.
Sem dúvida, és o sentir, o ouvir, o tocar... e essa música está perfeita pois me oarece seres tu a cantar as palavras que escreves...
"Poruqe és presença quando tudo havia perdido?... eu diria " Porque és música quando tudo deixei de ouvir? Porque és cor quando já nada vejo? Porque és poesia quando já nada leio?.... Porque és tu! Nesse suspiro que sopras e nesse sentido que nada maldito é um hino a ti, ao teu coração!"
jnhs doces e... ( ok, eu digo assim... cantados)

Verde disse...

Nasci do sublime amor de um Deus e o azul do arco-íris, navego em um mar de luz, transformo cor em amor, sou aquele que te dirá onde pára o eco da palavra…

Profético beijo

Klatuu o embuçado disse...

Começou bem: «Cerro os olhos à procura de um vazio,
de uma cova onde esteja só» [...]

mas depois perdeste o fio à meada...

Dark kiss.

João Cordeiro disse...

Obrigada pelos doces comentários.


Beijinho sonhador

Jorge Bicho disse...

Lindo, lindo, as palavras, as fotos, tu e a tua escrita.
beijos no coração
JB

Reflexos da Alma disse...

Olá !
Vim ver quem eras...Gostei imenso deste poema.
Sensibilidade acima de tudo, é o que tens. Gostei!
Se puderes dá-me o prazer da tua visita.
beijoka

PoesiaMGD disse...

O apelo dos cheiros num poema de intensidade e sensibilidade. Muito belo!
Um beijo

Nelson Ngungu Rossano disse...

Parece que tou a ver o poema a nascer, um sentido profundo onde "cavo o meu suspiro, maldito sentido!"

Bj

Moacy disse...

A foto é bela; a poesia é doce. Eis-me aqui, pois, via Bosco Sobreira, o amigo cearense/nordestino. Um abraço.

Lord of Erewhon disse...

Tenta temas mais difíceis... são esses que fazem os bons poemas.

ana maria costa disse...

Olá Vera!

hoje, vim ao teu jardim e levo o cheiro da tua poesia, na pele.

deixo jinhos

Bosco Sobreira disse...

Voltei em busca de novas pérolas. Na falta, volto a deliciar-me com esta e as demais.
Um beijo afetuoso, querida Poeta.

jorge disse...

cravo fundo os meus dedos cinzéis
no teu corpo de pedra

com gestos bruscos te moldo sentidos
com jeitos brandos te amo de amores lilases
te afago de mármore polido
te escorro de água nos cabelos
(negros como o luto dos cisnes emplumados)
mulher de bálsamo de rocha
arrancada à improbabilidade dos acasos
que nos regem furtivamente
na prestidigitação das verdades ocultas
com que forjamos inocentes os destinos
que sofremos p’la nossa falta de destreza
escultores inábeis que somos
de bálsamos e corpos de cabelos de pedra
talhados à erosão dos ventos-norte
que nos gelam sinistros de ritmos
os prumos síncronos
da vida
e da má sorte

jorge casimiro

jorge_casimiro@sapo.pt

freefun0616 disse...

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