janeiro 26, 2007

Não quero asas para voar!

















Uma noite sonhei
que poderia ganhar asas e voar,
subir para lá das nuvens
e romper o céu de tanta volta dar!

Sôfrega de vontade e despida de embaraço
Deixei-me levar, subi, subi, subi…
…até um circulo vago, de uma vastidão incomum,
Sentia frio, deixei-me pousar.
Não conseguia caminhar,o solo de algodão movia-se lentamente e arrastava a leveza do meu corpo.
O vazio era perfeito, sereno, puro.
A atmosfera inerte assombrava-me o querer!
Aos poucos ia rasgando a névoa, mas as fendas só mostravam o que ficava para trás!
Um círculo despejado de solidão!
O silêncio e o frio secaram a vontade e aprisionaram a liberdade.
"De que valeu subir tão alto se tudo é deserto e triste?"
Rompi o solo de algodão e deixei-me cair rodopiando na desilusão.
"Não quero o céu, as nuvens, as asas!
Quero acordar, sentir o sol da manhã que me aquece através da janela,
preguiçosamente levantar e sentir o duro chão,
arrastar o corpo pela casa e enfrentar mais um dia,
mesmo que não seja um sonho."

-----V.C.-----